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Sucinta

Beijei-te nas entrelinhas do nosso olhar.

Estava escrito:

Sempre há-de amar

[…]


Nota¹:  Aqui e aquém, situações dramáticas ocorrem; momentos mágicos desvelados por todo o instante mágico e dramático se desdobram;  e, na passagem do dia, oblitera-se. Expurga-se para si o punhal negrume recheado d’além-dor! Mas não é isto que interessa às novelas. Deixemo-os quietinhos os fatos, como de fato estão.

Nota²: Decerto o trecho da canção seguinte representa papel fundamental nesta nota:

Eu vi o grande amor no claro olhar da minha amada.

Eu vi que todo o grande amor ainda é pouco, ainda é nada.

Eu vi amores que jamais verei. Meninos, eu vivi.

Vivendo a poesia de verdade.

(Composta e musicada por Tom e Chico)

*Portinari

*  *  *  *  *

Poesia, aqui e agora

É aquela formiga que passa

Aquela folhazinha que cai

Azul, aquele sol que sai

(to be continued)

Nota:

Quem não gosta de samba bom sujeito não é…” (desde Dorival Caymmi)

Mas hoje ela chorou desairosamente

Primoroso luar singelo e trêmulo noturno em vão

Risonho gárrulo – foste afeita ao áureo afã solene

Impúdico deleite contrasta no horizonte perene

Marfínea noite finda a voluptuosa privação

Avivou desmaiada esta manhã

Veemente ímpeto harto mimou:

Ermo intermitente

Radiante cerrou

Augusta

————- primavera

—————————– desposara

——————————————— exaustivamente …

Desalento

Já se passava da milésima vez que ele ouvia seu nome. Seu coração parecia querer arrancar-lhe o peito e, com efeito, bruscamente palpitara, aturdia, balanceava-o, numa quase parada cardiorespiratória. Enfartado, descompostara-se. […] Seus sagrados momentos lhe rompia um relance àquele casto romance. Poemetos descronológicos sobresaíam-se-lhe de seus lábios, outrora bem ocupados:

Corpo jovem, ar airoso
Tens abraço apertado
N’um zelo gostoso

[…]

Amo-te por tua idade
Pela fidelidade
Por quem és
Nariz, boca, mãos, pés

Nota:

Ser-me-ás bruma em tempo quente“. A mim me parece pouco provável que o autor não tenha pensado neste afamado verso inserido em peças românticas nos últimos séculos. Possuir a leitura da mente que carrega o autor é papel delicado. “Ser-me-ás bruma em tempo quente e aurora de semblante cálido“. Balbuciar este verso, e manter a postura, quando o pensamento está anos-luz distante, à frente, muito longe, no horizonte infindo do perfil feminino; además, de um único perfil – difícil tarefa, que o autor consegue manobrar meticulosamente.  “Ser-me-ás bruma em tempo quente e aurora de semblante cálido. Pois és tu a florzinha cor-de-rosa desta animada primavera“: os versos contrapostos encerram as lembranças dulcíssimas do sujeito – sobrepondo quaisquer malícias evocadas.

Rosa Maria

***

Minha rosa Maria

Na boca minha boca

Na mão minha mão

Nosso corpo no chão

***

Melra flor,

[…]

Nota:

O autor, penso eu, não é do antinaturalismo. Ele, pelo que demonstra no quotidiano, gosta do verde, do mato, das flores, do bem dizer, etc. No entanto, caro leitor,  – veja bem que não o defendo gratuitamente – há dias em que se tropeça em pedras de ruas alheias e dá-se de cara com brutas flores desconhecidas. N’um lugar a parte, é possível que o autor tenha sido violentado e atingido por espinhos incompreensíveis, e vulgares, dando lugar a ira (ou ao mito, definitivamente não se sabe). Além disso, o autor, maleavelmente irritado, carece de tratamento menos brusco e humano a mais.

A íris dos olhos teus fita os meus. Nossas mãos amanhecem entrelaçadas.

[…]

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