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Posts Tagged ‘|Desalento|’

Já se passava da milésima vez que ele ouvia seu nome. Seu coração parecia querer arrancar-lhe o peito e, com efeito, bruscamente palpitara, aturdia, balanceava-o, numa quase parada cardiorespiratória. Enfartado, descompostara-se. […] Seus sagrados momentos lhe rompia um relance àquele casto romance. Poemetos descronológicos sobresaíam-se-lhe de seus lábios, outrora bem ocupados:

Corpo jovem, ar airoso
Tens abraço apertado
N’um zelo gostoso

[…]

Amo-te por tua idade
Pela fidelidade
Por quem és
Nariz, boca, mãos, pés

Nota:

Ser-me-ás bruma em tempo quente“. A mim me parece pouco provável que o autor não tenha pensado neste afamado verso inserido em peças românticas nos últimos séculos. Possuir a leitura da mente que carrega o autor é papel delicado. “Ser-me-ás bruma em tempo quente e aurora de semblante cálido“. Balbuciar este verso, e manter a postura, quando o pensamento está anos-luz distante, à frente, muito longe, no horizonte infindo do perfil feminino; además, de um único perfil – difícil tarefa, que o autor consegue manobrar meticulosamente.  “Ser-me-ás bruma em tempo quente e aurora de semblante cálido. Pois és tu a florzinha cor-de-rosa desta animada primavera“: os versos contrapostos encerram as lembranças dulcíssimas do sujeito – sobrepondo quaisquer malícias evocadas.

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